
O que importa na História nem sempre é o que acontece, mas também o que obstinadamente se recusa a acontecer. Talvez o maior exemplo dessa antítese histórica, seja: há mais de dois mil anos, um menino veio ao mundo, sem aquilo que as pessoas ao redor chamariam de glória; nasceu numa manjedoura, no meio de uma fuga de seus pais para livrá-lo do decreto do rei. Viveu no anonimato até os trinta anos. Em apenas três anos, espalhou uma nova doutrina, incomodou os religiosos, e, foi morto da maneira mais horrenda e vergonhosa possível. Em resumo, a história de um grande fracasso se parasse por aqui. Segundo seus discípulos e muitas outras testemunhas, ressuscitou ao terceiro dia, como tivera de antemão anunciado. Esses homens – que haviam presenciado tal fato -, continuaram seu legado, levando adiante a nova doutrina que fora ensinada pelo mestre, levando a mensagem, a todo custo, por todo o mundo. Um custo altíssimo, diga-se de passagem, pois muitos deles serviram de espetáculo nas arenas romanas; muitos foram decapitados; outros apedrejados; tudo por causa da nova mensagem. Em meio a todas essas perseguições, ainda hoje a obra da cruz é celebrada, e, em mais lugares do que antes; e o símbolo máximo daquilo que aparentemente fora um fracasso, transformou-se no símbolo da vitória de Jesus.
Depois desse breve recorte da história bíblica, podemos voltar à afirmação do início, com uma compreensão um pouco melhor do seu sentido.
Quando penso nessa afirmação: “O que importa na História nem sempre é o que acontece, mas também o que obstinadamente se recusa a acontecer…” feita pelo historiador Paul Johnson, não consigo pensar em um exemplo melhor do que a história do cristianismo para exemplificar tal fenômeno. Não existe outra forma de pensamento que tenha recebido mais retaliações, do que a simples mensagem de humildade e amor ao próximo, apregoado por Jesus. O fato da verdadeira mensagem de Cristo, ter permanecido, diante de todas essas tribulações, forte até os dias de hoje, já é em si mesma uma prova inegável a seu favor.
Quando, cristãos de todo o mundo, abrem suas bíblias e dirigem suas orações ao Deus ali descrito, não o fazem por mera fé – no sentido de crença infundada – mas o fazem pelo fato de que, diante de todas as forças contrárias, o cristianismo dá provas de sua veracidade. O que prova também não ser mais um mero sistema filosófico, mas sim algo real e concreto. Assim como os autores do Novo Testamento, os apóstolos – que preferiram padecer todo tipo de sofrimento, a negar o que haviam visto e ouvido – puderam presenciar milagres em suas vidas, assim acontece também com aqueles que nos dias de hoje resolvem conhecer esse mesmo Deus.
Com certeza o ponto principal do sucesso póstumo de Jesus seja oferecer-nos algo muito além de nossas vidas terrenas. Algo que ciência alguma no mundo pode nos oferecer. Filósofos podem declarar: “Deus está morto”; biólogos podem pretensiosamente, brincar de deus; mas nenhum deles jamais poderá vencer a morte.
Interessante observarmos que as mesmas palavras dirigidas por Jesus a pescadores, plantadores de olivais e pastores, ao pé do monte, sejam tão atemporais. Podemos não nos parecer em nada com eles, podemos até ver o mundo pela televisão ou pela internet, mais ainda temos os mesmo conflitos e medos que aqueles simples moradores da Judéia tinham há dois milênios atrás. Por isso não importa os rumos que a História venha a tomar; a mensagem da cruz é esta, e sempre servirá para quem busca encontrar a verdade. “Deus amou o Mundo e por isso deu seu filho único para que todo aquele que nele crê, tenha a vida eterna…”.
Por Júlio César Beatriz



