O “ídolo das origens” é um conceito histórico, hoje ultrapassado, que consiste em sempre buscar a origem de algo, identificar o pioneiro, o precursor, o inventor, o “desbravador”, e tendia sempre, nos exemplos citados, à exaltação dos grandes feitos desse pioneiro, precursor, etc. Mas a crítica que se fez, partiu da simples identificação de que sempre há algo anterior, de que se pode colocar um alfinete na cronologia ou “linha do tempo”, para demarcar o ínicio de algo, e ainda assim haverão acontecimentos anteriores. E é nesse ponto que eu quero chegar. Os “pioneiros”, que marcaram a história com suas vidas transmitindo a vida de Deus, na maioria das vezes não se preocupavam que futuramente iriam ser lembrados como tal, nem sequer se consideravam assim, antes, tinham como fundamento que sempre há uma causa primeira, Deus (1Jo 4.19). Na verdade, não sem grandes lutas, firmaram isso em suas vidas, de que não criaram nada, de que tudo veio, vem e virá Dele para sempre. Reconheciam-se tão pequenos diante da grandiosidade da criação que não ousavam achar-se na posição de criadores. Para citar exemplos, começo com a Reforma Protestante; erroneamente creditamos aos “reformadores” a criação de um movimento opositor ao papado, e citamos nomes como Lutero, Calvino, Savonarola, etc. Não quero dizer que não tiveram parte nos acontecimentos, pois esse seria o erro do outro extremo, mas de identificar neles a “causa primeira”, o que os permitiu o ímpeto reformador, quem gerou neles o anelo pelas escrituras sagradas? Ou mesmo, seriam eles criadores de outra religião? Em resposta, cito o próprio Lutero, que, creio eu, nem tomou conta da repercusão que suas 95 teses teriam na posteridade, pelo contrário, depois de afixá-las como um ato natural de quem conheceu as escrituras, e principalmente, o Deus que as escreveu, voltou a dirigir a mesma paróquia de que era pastor.
Há problemas que advém de querer a glória de ser precursor, e conhecemos o final que terá aquele que nos incita a roubar a glória que é devida a Deus. Acredito que todos os exemplos que devemos seguir tiveram momentos em que se orgulharam, pois isso, naturalmente decorre da rebelião humana contra Deus, mas a caracteristica que predominava, era a de homens humildes transformados pelo Espírito Santo de Deus (Mt 5.3,5 – Sl 37.11). Depois disso, não nos é mais estranho o fato de que esses “heróis” se consideravam “piores pecadores” (1Tm 1.15). Quem vos escreve, já teve, por vezes, a vontade de ser um cara com o nome conhecido, lembrado, de ter o ego afagado por elogios, e isso é um reconhecimento, porém sempre peço a Deus que quebre as minhas pernas quando eu estiver achando que posso andar sozinho, que sou pioneiro de algo…
Por Helvio Henrique de Campos



