“Há muitas palavras que já decoramos e poucas que já vivemos.” Essa frase tem martelado minha cabeça nesses dias. Você me perguntaria porque? Porque tenho me deparado com a minha miséria sem Cristo, minha impotência sem Cristo. Você perguntaria novamente, mas você não é salvo? Sim, não há nada que possamos fazer nessa Terra que pague o que recebemos de graça. Mas ainda uma coisa me perturba, aliás, isso também não é uma questão nova. O propósito de Deus é somente a salvação? Tem em vista somente nos salvar do inferno? De tão batido o enfoque, provocaria uma resposta quase unânime (e esta resposta também sairia da minha boca), “Não”, fui salvo para ter comunhão com Deus, pois Genesis nos conta que no Édem Deus criou o homem e tinha comunhão com ele, no fim da tarde os dois batiam aquele papo. Verdades, verdades que já ouvimos, já pronunciamos, já cantamos, já panfletamos, e não vou dizer que não vivemos, vou dizer que já vivi sim e que muitos já viveram. Então, essa palavra precisa nos animar, pois já colocamos a mão no arado, e espero que não sucumbamos à vontade de olhar para trás. Quanto ao inferno, sempre pensei que a maior dor, não será a física, mas sim remorso de ter ouvido e não ter acreditado, de ter acolhido, de início, as palavras de bondade, porém, ter se deixado entranhar pelo julgamento, pela cólera, pelo falar mal, enfim, pela cobiça do pecado. Em uma vigília, há alguns dias atrás chorei tanto, por sentir que minhas palavras de julgamento, ao contrário de serem endereçadas a quem quer que seja (pessoas, instituições, igrejas, etc.) eram endereçadas ao próprio Jesus, meus pecados estavam sobre Ele no Calvário, como não lembrar dos inumeros versículos (2Pe 2.24, Is 53.5, etc.)
Somos tentados, como Pedro, a defender o Senhor Jesus, desferindo golpes contra nosso semelhante e nos surpreendemos, ou não, quando num ato de extrema doçura, o Senhor abaixa-se afim de apoiar o atingido e o cura física e emocionalmente. Isso acontece porque nos esquecemos que outrora estavamos do outro lado, golpeados, desnorteados, abatidos e que fomos consolados com igual amor. Sinceramente, espero que a chama que ardeu dentro de mim me leve a viver esse amor que tudo compartilha, tudo sofre, tudo suporta, o amor descrito em 1Coríntios 13. Não deixaremos de falar as verdades, mas as falaremos com a mesma ternura e amor que Jesus demonstrou com a mulher que os fariseus e escribas queriam apedrejar (Jo 8), porque mesmo uma verdade, se pronunciada sem amor, mata (parafraseando o que ouvi da minha noiva). Por fim, estou alegre com os sonhos que Deus gerou em meu coração, alguns deles já tenho visto se cumprirem e este blog é o início de um deles…
Por Helvio Henrique de Campos



